sábado, 24 de abril de 2010

O diálogo passado a limpo


O blog procurou respostas desde o dia em que publicou diálogo da secretária Comunicação do estado Lena Guimarães, falando sobre pesquisa eleitoral com supostos representantes de instituto de pesquisa na Paraíba, episódio que deu mote a muita discussão nos últimos dias.

 
Sobre qual instituto falavam? De qual pesquisa? Qual o sentido correto das frases? Não foi pela boca da secretária Lena Guimarães, mas algumas delas chegaram ao blog, que procurou Anderson Pires, dono da Signo Comunicação, a principal agência do governo, que é supostamente citada no diálogo, para descobrir o que realmente se passou naquele ambiente.
 
Vamos dividir o conteúdo da informação que colhi sobre o tema em dois momentos. E, ao final, faço um arremate pessoal.
 
O primeiro é a história sobre a qual se insere o diálogo veiculado neste blog, mediante conversa com Anderson. O segundo é a correção feita pelo signatário deste espaço de alguns trechos da conversa, após ouvir áudio que apresenta som mais limpo, em que a secretária trata de pesquisa eleitoral.
 
Em resumo, as informações afastam a tese de que o diálogo em si se refere à compra direta de uma pesquisa eleitoral específica. 
 
Primeiro Momento:
 
1- a conversa foi gravada no dia 30 de março de 2010, no gabinete da Secretária;
 
2 – Segundo Anderson Pires, estavam na sala com a secretária três homens. Todos executivos dos Diários Associados, conglomerado de comunicação que tem veículos diversos estados do Brasil. São eles: Guilherme Macedo (Condômino e diretor em Pernambuco), Paulo Maurício (Superintendente do O Norte) e Marcelo Antunes (Diretor do Diário da Borborema).
 
3 – A pesquisa sobre a qual se refere o diálogo foi registrada pelo Diário da Borborema no dia 15 de março e todos os dados estão disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral. Os questionamentos feitos eram pelo fato do instituto não ter qualquer credibilidade, nem experiência. O nome do Instituto é o Datavox. E que isso mostrava a vulnerabilidade do instituto.
 
4 – Em resumo, os homens estariam tentando se justificar diante da secretária por uma pesquisa, supostamente forjada, que seria publicada no Diário da Borborema, que mantém contrato publicitário, assim como todo os principais veículos de comunicação do Estado, com o governo para divulgação de material institucional.
 
 
Segundo Momento:
 
1 – Após ouvir o áudio mais limpo, melhorado com recursos técnicos, o signatário deste blog precisa fazer uma correção, que vai em tom de retratação: não se ouve a frase “...é mas o gabinete pagou, mesmo a pesquisa vazando”. A secretária Lena Guimarães não disse isso. O que se ouve, na verdade, é “mas ninguém pagou, ninguém pagou”.
 
 
2 – Fica mantida, no entanto, a fala da secretária quando ela diz: “eu pago mais, eu ajudo vocês para contratarem o melhor que tiver...”. Mas no segundo CD do áudio a que teve acesso o blog, não há a frase completa: “Entreguem isso pra mim na sexta”.
 
3 – Anderson Pires fala em trucagem, em inserção de ruídos que comprometem a fala da secretária.
 
 
Terceiro Momento:
 
Bom. Agora vamos algumas observações pessoais.
 
1 – Pelas informações prestadas e pelo conteúdo do diálogo, parece de fato que é plausível aproximar a conversa da versão que aponta pedido de desculpas dos Diários Associados a Lena Guimarães.
 
Tal versão é facilmente confirmada com as frases de Lena: “Eu pago mais, eu ajudo vocês a contratarem o melhor que tiver”. Ou seja, o governo paga um bom contrato ao O Jornal O Norte, que é citado no diálogo, e ao Diário da Borborema para que ambos não caiam em armadilhas de pesquisa.
 
E ainda pela frase da secretária, publicada e confirmada no áudio: “ O governador ficou puto, porque não era ele o alvo, mas indiretamente era”, uma vez que a pesquisa a ser publicada no Diário da Borborema traziam números totalmente desconexos com a realidade, especialmente de Campina Grande.
 
2 – Apesar de não se tratar de uma conversa sobre a compra direta de uma pesquisa eleitoral, há uma inadequação no diálogo da secretária que ainda merece apuração por parte do Ministério Público Eleitoral.
 
O que é que explica donos de veículo de comunicação do Estado se deslocarem ao gabinete da secretária de Comunicação do Estado para se desculparem por causa de uma pesquisa feita por instituto sem credibilidade?
 
Não cabe ao governo, enquanto Poder Público, avaliar a qualidade do material eleitoral publicado nos sistemas em quem mantém contratos com o dinheiro público. E tão somente tratar de propagandas e matérias jornalísticas que sejam mentirosas quanto à administração estadual.
 
Matéria eleitoral, como uma pesquisa mal feita, deve ser questionada pela assessoria jurídica eleitoral do candidato à reeleição. Ou pelo PMDB, neste caso. Não pelo governo do Estado da Paraíba. A não ser que a pesquisa trate do número de atendimentos dos hospitais públicos estaduais ou de alunos da rede estadual de ensino.
 
Desse jeito, apesar dos esclarecimentos, fica a pergunta no ar: O governo do Estado mantém sob vigilância todas as pesquisas eleitorais contratadas pelos veículos de comunicação que tem contrato publicitário?
 
Isso não é misturar administração pública e processo eleitoral? Aí já cabe ao Ministério Público Eleitoral responder.
 
Luís Tôrres

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