O Ministério Público da Paraíba (MP-PB) já solicitou à Delegacia de Polícia da cidade de Mamanguape a instauração de inquérito policial contra João Luiz da Silva. Ele é acusado de praticar crime de cárcere privado contra a irmã, Severina Maria da Silva, de 51 anos, para se apoderar do benefício previdenciário dela. Se condenado, ele pode pegar pena de dois a oito anos de prisão.
Depois de receber imagens produzidas pelo radialista Wilane Soares que denunciavam os maus-tratos praticados contra a mulher que sofre de transtornos mentais, o promotor de Justiça José Raldeck de Oliveira instaurou procedimento administrativo e acionou a Secretaria de Ação Social do município para reconduzir a vítima a uma instituição de abrigamento.
“Ela foi encontrada nua e desnutrida e estava sendo mantida em uma jaula insalubre há muito tempo, a ponto de não conseguir andar. No local, não havia colchão, toalha, nada! Isso foi feito porque a família tinha o intuito de receber os proventos da aposentadoria dela. Conseguimos a remoção de Severina e ela já se encontra na Instituição Espírita Nosso Lar, em João Pessoa”, disse o promotor.
Audiência sobre o idoso
Segundo o promotor de Justiça Raldeck Oliveira, o número de denúncias sobre maus-tratos contra as pessoas com mais de 60 anos de idade e sobre fraudes em empréstimos consignados nos benefícios do INSS aumentou muito depois que o MP-PB realizou, no início do mês, uma audiência pública sobre o idoso, no Vale do Mamanguape.
“Depois da audiência, as pessoas passaram a nos procurar mais. Recebemos cerca de 20 reclamações de fraudes em empréstimos consignados feitos em nome de idosos. Já pedimos o bloqueio desses pagamentos junto ao INSS. Também solicitamos o bloqueio do benefício de Severina. Depois que os pais morreram, João Luiz conseguiu na Justiça a autorização para ser o curador da irmã e passou a receber o benefício dela. Esses problemas acontecem em todo o País. Infelizmente, muitos idosos têm medo de denunciar os maus-tratos praticados por familiares. Por isso é importante a ajuda da população”, disse o promotor.
Do MP-PB

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