O tráfico de animais e vegetais tem ganhado cada vez mais força na Paraíba. O Estado seria não somente uma rota para os “traficantes biológicos”, como também já aparece como um fornecedor internacional. O que antigamente se restringia à venda de aves em feiras livres, atualmente já ganha proporções internacionais. Até mesmo a venda de animais da Paraíba em sites especializados ou em sites de relacionamento já vem sendo investigada pela superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na Paraíba.
O tráfico biológico não só coloca espécies em risco como também ameaça o equilíbrio ecológico de toda uma região. No início deste mês, uma operação desencadeada em todo o país apreendeu na Paraíba quadros com borboletas empalhadas e outros objetos de ornamentação utilizando animais. Mas espécies existentes aqui no Estado podem também ser encontradas à venda em vários sites da internet, o que ainda não se pode, no entanto, é afirmar qual seria a origem destes animais disponibilizados em site por apenas alguns dólares.
O superintendente do Ibama na Paraíba, Ronilson Paz, chegou a admitir já ter recebido denúncias de animais saindo do Estado para serem vendidos em sites internacionais. Entretanto, ele preferiu não dar mais detalhes sobre o caso para não atrapalhar as investigações. “Estamos investigando algumas denúncias da venda de animais da Paraíba na internet, inclusive em sites de relacionamento. Temos notícias de sites especializados que usam vários artifícios para a venda”, admitiu.
Os animais oferecidos pelos sites especializados vão desde aves empalhadas até mesmo borboletas, besouros e aranhas. Mas o “carro-chefe” da maioria dos sites parece ser mesmo os pequenos insetos, talvez pela facilidade de envio e transporte. Entre as espécies paraibanas encontradas nos sites estão três tipos de borboletas facilmente encontradas em reservas como a Mata do Buraquinho e a Mata do Amém. As borboletas empalhadas podem ser compradas a partir de dois dólares.
Mas as denúncias vão além das vendas pela internet. Segundo o agente ambiental federal, Walter Galdino, até mesmo um pesquisador que possuía autorização do Ibama para estudar animais da fauna paraibana foi flagrado tentando sair do país com centenas de borboletas. “Há aproximadamente dois anos, um cidadão que era autorizado pelo Ibama como pesquisador foi flagrado no aeroporto de São Paulo com mais de uma centena de borboletas que ele havia capturado em João Pessoa. Ele fazia coleta em unidades de conservação, em áreas de preservação permanente”, contou.
De acordo com Walter, o pesquisador estaria tentando embarcar para os Estados Unidos, onde revenderia os animais, e foi flagrado após denúncias. “Muitas pessoas de países como Estados Unidos e Inglaterra possuem interesse em animais silvestres”, destacou.
Para o biólogo Thomás Pires, o maior prejuízo causado pelo tráfico biológico é o desequilíbrio ambiental que seria ocasionado pelo comprometimento da existência das espécies que são frequentemente capturadas. “Sem dúvida nenhuma a questão da retirada de um animal da natureza causa uma perda da biodiversidade. Quando se retira um animal da natureza você interfere na cadeia alimentar e afeta todo o ciclo. Com este desequilíbrio, pode-se causar grande aumento de uma determinada espécie em detrimento a outras e causar um grande desequilíbrio”, alertou.
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