segunda-feira, 28 de junho de 2010

90% dos mercados não seguem normas sanitárias


Um lugar onde se pode encontrar tudo. Ou quase tudo. Os mercados públicos são o ponto escolhido para se ter o que deseja, aliando qualidade nos produtos e preços abaixo da média cobrada no comércio. Mas em meio a diversidade de mercadorias – é possível comprar desde frutas exóticas até elementos para a mobília da casa, um imenso problema tem sido comum no cotidiano das pessoas que trabalham, daquelas que usam os serviços e até dos que simplesmente visitam esses aglomerados de pequenos estabelecimentos: muitos estão em condições precárias de infraestrutura e higiene.
Os mercados da Paraíba enfrentam sérios problemas e as intervenções ainda são pouco significativas diante do universo de falhas detectadas nesses pontos. Na Paraíba, 90% dos cerca de 150 mercados presentes em municípios do Estado (nem todos possuem o equipamento) estão bem distante de atingir as normas sanitárias estabelecidas pelos órgãos de saúde. O número, uma estimativa da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa), assusta, mas parece bem real quando se vê esses locais mais de perto. As principais irregularidades, de acordo com o gerente de alimentos da Agevisa Flávio Pinto, são relativas ao acondicionamento dos alimentos, manuseio dos produtos pelos comerciantes, destino de resíduos sólidos, higiene nos espaços e exposição de mercadorias.
Em uma simples visita, é possível identificar erros que podem afetar, inclusive, a saúde de quem anda por esses cantos. A reportagem do JORNAL DA PARAÍBA esteve em  pelo menos quatro mercados localizados em João Pessoa e conversou com comerciantes e consumidores. Muitos deles confessam a falta de assistência e também da ausência de conscientização da própria população, que usa os espaços de maneira inadequada. O primeiro, também o maior e mais antigo, é o Mercado Central, que está sendo alvo de diversas reformas desde o ano de 2006.
No quesito higiene e instalações dos mercados públicos, alguns clientes se queixam da estrutura precária. A dona de casa Débora Alves lamenta a completa falta de higiene em determinados pontos do Mercado Central, entretanto reconhece as melhorias trazidas com a reforma, que ainda está em execução. “Na área em que foi reformada está tudo bem. Mas tem alguns locais que o descaso é total. Restos de comida espalhados pelo chão, lama, não tem nem como andar. É de fazer nojo, meus pés estão sujos”, disse. Moradora do Cristo, Débora não é compradora assídua do mercado, mas aproveita sempre as oportunidades quando vai ao Centro da cidade para comprar produtos que ela considerada “novinhos”. 
No mesmo mercado, trabalha a cozinheira Lindoneida Lima, de 31 anos. O ponto onde ela comercializa ainda não passou por reformas e ela reclama da ausência de higiene no local. “Aqui tem muito rato. Nem adianta a gente dedetizar porque os outros comerciantes não fazem o mesmo. Que adianta gastar com veneno, se os outros não conservam? Os bêbados deixam comida em todo o canto e isso atrai os roedores. Deixei de vender almoço porque minha clientela não vem mais”, conta. “Se brincar eles te carregam daqui”, ironiza a comerciante Josenilda da Silva.
Para se ter uma ideia, em uma inspeção realizada no Mercado Central por uma força-tarefa no ano passado, foi confirmada a situação de precariedade em todos os boxes do pavilhão de hortifrutigranjeiros, que havia sido reformado poucos meses antes da visita. Lixo espalhado pelos corredores, galerias pluviais entupidas, utilização incorreta da área, mau acondicionamento dos alimentos, degradação dos balcões e detecção de focos do mosquito transmissor da dengue foram alguns dos problemas encontrados no local. 
Todos os comerciantes da área foram notificados na época e teriam que fazer diversas adequações para se encaixar nas condições higienico-sanitárias exigidas pelos órgãos. “Entre os pontos observados foram degredação das bancadas de granito, uso de madeira para colocar as mercadorias (o que propicia que animais durmam no local e transmitam doenças), falta de lixeira e lixos espalhados nas passarelas, produtos colocados diretamente no chão sem nenhuma proteção e uso das pias para lavagem de mão para dar banho em crianças”, comentou, à época, o gerente de Vigilância Sanitária, Ivanildo Brasileiro. O local passou pela avaliação de técnicos da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb), Autarquia Municipal Especial de Limpeza Urbana (Emlur), Gerência de Vigilância Sanitária (Gevisa), Vigilância Ambiental e Zoonoses e Procon de João Pessoa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário